Potências Médias do Sul nas Nações Unidas: um Modelo Analítico

Desde o fim da Guerra, diversas correntes e autores da Ciência Política e das Relações Internacionais têm voltado seus estudos para a compreensão da estratificação do sistema internacional na nova ordem que emergiu com o fim da bipolaridade sistêmica. Nesse âmbito, para analisar os Estados que não são grandes potências, mas que possuem um peso relativo em questões globais, surgiram conceitos como potências emergentes, potências intermediárias e potências regionais. Este artigo insere-se nesse debate e buscar analisar essa classificação aplicada aos estados-membros das Nações Unidas. Igualmente, o trabalho irá propor um modelo analítico com base em critérios como capacidade militar, econômica e diplomática e estabelecerá diferenciações entre os Estados-membros da ONU, inclusive entre aqueles comumente classificados homogeneamente como potências médias, a partir de suas características constitutivas. A ênfase será em matéria de paz e segurança internacionais, tomando como base os efeitos gerados pelo impacto das assimetrias sobre as capacidades de influenciar os processos decisórios da Organização. Por fim, este artigo classificará Brasil, Rússia,Índia, China e África do Sul, isto é, os Estados-membros do BRICS, a partir do modelo de estratificação proposto, para indicar a heterogeneidade destes Estados.

Marianna Restum Antonio de Albuquerque /IESP-UERJ
Hugo Bras Martins da Costa /IESP-UERJ