Evangélicos: do templo à elite da Câmara dos Deputados?

A ampliação do número de parlamentares evangélicos no Congresso Nacional brasileiro, especialmente na Câmara dos Deputados, é um fenômeno relativamente recente, tendo ocorrido especialmente de 2003 em diante. Esses parlamentares permaneceram, contudo, tendo dificuldades em ascender aos postos de comando da estrutura de poder da Câmara ao menos até a eleição do deputado Eduardo Cunha para a presidência da Câmara em 2015. Naquele ano a representação evangélica havia chegado a 74 representantes. Quatro anos depois, a bancada que toma posse em 2019 é ainda maior, alcançando um total de 91 deputados. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre o desempenho desses parlamentares nas disputas pelos postos de poder. Assim, o primeiro objetivo deste estudo é investigar se os candidatos evangélicos encontrariam algum diferencial positivo para se eleger como deputado federal. O segundo objetivo é investigar se, caso eleitos, esses candidatos teriam mais facilidade para assumir funções de destaque na estrutura de poder. Desse modo, a primeira hipótese é que os evangélicos teriam esse diferencial positivo, mesmo se controlando por fatores como despesas de campanha (capital econômico) e ocupação de cargo eletivo anterior (capital político). A segunda hipótese é que, uma vez eleitos, eles não teriam essa mesma facilidade para assumir funções de destaque quando comparados com os demais deputados. A primeira hipótese é baseada na questão da personalização da atividade política, com reflexos nas campanhas eleitorais. Funda-se, ainda, nas teorias de conversão de capital social em político. Os autores já elaboraram um banco de dados das Eleições Gerais de 2014 e 2018, bem como o desempenho nas 54ª e 55ª legislaturas. Com relação à análise dos dados eleitorais, serão considerados, primordialmente, a religião, os gastos de campanha e o capital político. Já em relação ao desempenho legislativo, será considerada a ocupação de presidência de comissão permanente, do cargo de líder e da Mesa Diretora. Em ambos os casos, serão utilizados métodos estatísticos, como análise de variância (ANOVA) e análise de covariância (ANCOVA). Os outliers serão analisados via estudo de casos.

Juliano Machado Pires /Câmara dos Deputados
Marcus Vinicius Chevitarese Alves /Câmara dos Deputados
Marina Basso Lacerda /Câmara dos Deputados